quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

A identidade de uma empresa pode mudar?

Já me perguntaram isso um montão de vezes e, já tendo pensado muito a respeito,
tinha uma resposta que considerava convincente. Mas esses dias, lendo o excelente
“Convite à filosofia” da Marilena Chaui, fez-se a luz para mim (é para isso mesmo
que serve a flosofia, não é?).

Pois então. A Marilena, citando os clássicos com uma elegância e simplicidade que
poucos conseguem, explicou-me que todas as coisas têm atributos essenciais e
acidentais. Os atributos essenciais são aqueles que, como o próprio nome diz,
ajudam a definir a essência da coisa. Já os acidentais, apesar da nobre tarefa de
ajudar a definir a coisa, não contribuem para definir a sua essência. Bingo!!!!
Como é que eu não pensei nisso antes? Na identidade corporativa, é a mesma coisa!
Há os atributos essenciais e os acidentais.

Como sempre, gosto de usar pessoas como analogia. O cabelo, o corpo e a roupa
contribuem para definir a pessoa. Mas, ao longo dos anos, isso tudo muda muito. É
só comparar você com uma foto sua de dez anos atrás. Era muito mais cabelo e
muito menos quilos, e a roupa, que desastre… Mas você cotinua sendo você, não é?
Mesmo bem diferente, ainda dá para reconhecer a mesma pessoa. Você também era
imaturo, inexperiente, volúvel. Agora, dois casamentos e três filhos depois, está
muito mais assertivo. Mas, que paradoxo, continua sendo a mesma pessoa!!! Como
é que se explica?

São os tais atributos. Essa casca, essa parte que muda com o tempo, são os
atributos acidentais. Ajudam, mas não são imprescindíveis na definição de quem é
você. Já o seu senso de justiça, a sua honestidade, o seu amor pelos animais, a sua
mãe mesmo já disse: você sempre foi assim. Mudou muito pouco. É que esses são
os atributos essenciais. São o que tornam você especial. Pode ver, não é qualquer
lipo ou silicone que mudam uma identidade!

Em uma empresa também. O fato dela estar passando por dificuldades financeiras, a
sua inexperiência, a expectativa com o lançamento de um novo produto, tudo isso é
apenas acidental. No ano que vem já vai ser diferente. Mas se ela é essencialmente
conservadora, não vai virar vanguarda nem em 50 anos. Se ela é realmente ética,
não tem governo nem partido que mude isso. Se ela respeita mesmo o cliente, não
tem plano econômico que consiga estragar a relação.

Identidade é isso aí. Atributos essenciais que mudam quase nada, e atributos
acidentais que vivem causando surpresas.

Se a empresa se concentrar em traduzir os atributos essenciais em ações e dar
menos importância aos acidentais, vai dar tudo certo, pode crer.
Valeu, viu, Marilena?

Fonte: Lígia Fascioni

Grupo Anaya

Agência com 9 anos de atuação nas mais diversas áreas da criação.