quinta-feira, 31 de julho de 2008

Branding blogs: a gestão de marcas como nos blogs

Lições e ensinamentos do mundo dos blogs aplicados à gestão de marcas: o modelo "branding blog" pode funcionar bem em pequenas empresas, onde o contato com o cliente é direto e simplificado.
Por Fábio Sousa

Os blogs são ágeis, flexíveis, mutantes e sabem bailar como ninguém, mas um aspecto fascinante é o paralelo que podemos traçar com o mundo das marcas (ou “branding” para os mais chegados).

Quanto maior a marca, maior o tombo
Um coisa que toda marca almeja (ou pelo menos deveria) é se relacionar de forma cada vez mais íntima com os seus -correntes e futuros - consumidores. Muitas delas buscam concretizar isso através de produtos personalizados, comunidades de marca e neo-religiões. Particularmente vejo que essas soluções estão muito aquém do que poderia ser feito.

Façamos um exercício de reflexão: você fica maravilhado com um produto e está louco para comprá-lo. Sua felicidade é tamanha que você começa a espalhar para os seus amigos sua intenção de compra, quando repentinamente aquele seu amigo do coração diz “não compra que isso não presta! Tinha um e vivia dando pau…”. Desiludido e desacreditado, você deixa de comprar o determinado produto.

Por mais que uma empresa invista em divulgação e propaganda, basta um comentário negativo de uma pessoa próxima a você para derrubar toda aquela aura de magia e bling-blings. Cifras de pesquisa e desenvolvimento não são páreo para um comentário. Um simples comentário. O que fazer?

Olhando além do umbigo
Qualquer marca está suscetível ao acontecimento descrito anteriormente. Mas por que isso ocorre? Nós temos uma tendência natural a desacreditar nas marcas, pelo simples fato de existir por trás delas empresas ávidas pelo nosso parco dinheirinho - logo presumimos que serão capazes de tudo por ele.

Quando uma pessoa nos provê informações necessárias que corroborem com essa presunção, não existe departamento de marketing ou campanha de publicidade que resolva o estrago.

Nós, Homo comsumus, ainda valorizamos a entidade por trás das palavras grafadas em negrito; nós valorizamos o contato humano - o contato pessoa-pessoa. Isso significa que se uma marca quer falar diretamente (e ser compreendida e entendida), ela precisa necessariamente destes seres de carne, osso e muitas idéias na cachola. É aqui que surgem os blogs.

O eu-blog e o eu-marca
Até onde eu sei, blogs são criados e mantidos por pessoas. É preciso pelo menos uma pessoa para manter um blog; menos que isso é bolo sem recheio. A vida de um blog está intimamente ligada ao seu progenitor. Ele é a mola mestra; a verdadeira entidade por detrás da marca que singra os textos dos seus artigos.

Posso arriscar com muita segurança, mas não deve haver um único blog que seja encarado como algo em terceira pessoa. É sempre o blog do fulano ou do sicrano. Se essa pessoa toma uma decisão considerada errada, os usuários reclamarão de sua atitude e não sobre a postura etéria da marca do blog. É exatamente aqui que se encontra a minha reflexão sobre marcas e blogs.

Se uma marca fosse edificada como um blog, sendo sempre próxima, sincera e atenciosa com o seu público, será que os seus erros e acertos seriam tratados de forma diferente? É uma questão pertinente, com tantos pontos claros e escuros que você possa imaginar.

Acredito que o modelo branding blog possa funcionar perfeitamente com pequenas empresas, pois o contato com “os cabeças” da companhia é muito mais direto e simplificado como num blog. É muito gostoso você descobrir que após usar um formulário de contato ou deixar um comentário, o blogueiro(a) te responde da forma mais humana possível, sem nada daqueles “prezado Sr(a) Cliente…) - é ali mesmo cara-a-cara, ao redor da mesinha de um bar.

O que você acha? Puxe uma cadeira e vamos prosear um pouco… [Webinsider]

.

Sobre o autor
Fábio Sousa (faso@marcamaria.com) é empresário, blogueiro e bonequeiro. Está a frente do .marcamaria, empresa de criação de personagens e brinquedos e mantém o blog/projeto social .mundesign.

Grupo Anaya

Agência com 9 anos de atuação nas mais diversas áreas da criação.